SENTIMENTO EM PRETO E BRANCO
A meu secreto amado, Álvares de Azevedo
Como Adélia escrevo,
bilhete em papel roxo.
Não me agrada o rosa.
bilhete em papel roxo.
Não me agrada o rosa.
Loucuras não fiz por ti,
Manuel dos meus sonhos.
Persegue-me com esses olhos
Olhos de tão profundos, líricos.
Manuel dos meus sonhos.
Persegue-me com esses olhos
Olhos de tão profundos, líricos.
Aos treze caí sem volta
Envolta em doces versos,
ó Manuel dos traços firmes
Envolta em doces versos,
ó Manuel dos traços firmes
Manuel, Manuel
Teria sido sua musa
Deusa imaculada a teus olhos
A mulher que nunca possuístes
Serei a partir de agora
a Laura tua, Manuel
Não precisas mais sonhar
Com a Laura de Petrarca
Deusa imaculada a teus olhos
A mulher que nunca possuístes
Serei a partir de agora
a Laura tua, Manuel
Não precisas mais sonhar
Com a Laura de Petrarca
Nua, dormindo, sonhando, tua
Tua, Manuel
Enche-me o vazio de saber
Que ao lado teu nunca estarei
Tua, Manuel
Enche-me o vazio de saber
Que ao lado teu nunca estarei
Entre verso e prosa, perco-me
Entre o arcadismo e o romantismo teu.
Tantas são as escolas que me separam de ti!
Entre o arcadismo e o romantismo teu.
Tantas são as escolas que me separam de ti!
Manuel, doce Manuel
Que nas vindas e idas da prosa,
Nos encontremos na poesia.
Nos encontremos na poesia.
*** parafraseando Adélia Prado em "Bilhete em papel rosa"
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